Após matar motociclista e fugir, suspeito é preso na Capital
Trânsito de Campo Grande já matou 18 pessoas apenas nos primeiros dois meses deste ano; entre as vítimas, 12 pilotavam motos
| CORREIO DO ESTADO / CELSO BEJARANO
Carlos Hugo Naranjo Álvares, 32 anos, colombiano, que estaria bêbado a bordo de um carro de passeio da marca Mercedes-Benz, foi capturado ontem pela manhã à beira da BR-080, que liga Campo Grande à cidade de Rochedo, minutos depois de matar um motociclista em um acidente de trânsito no cruzamento da Avenida Salgado Filho com a Rua Guia Lopes, no bairro Amambaí, na Capital.
Na batida, o motociclista Matheus Frota da Rocha, 27 anos, teve uma das pernas arrancadas do corpo. Morreu no local. Seguia na garupa Samira Ribeiro dos Santos, de 19 anos, que seria a namorada do rapaz.
Até o início da noite desta segunda-feira, Samira seguia internada na Santa Casa de Campo Grande.
Imagens da tragédia, que ocorreu minutos antes das 7h, foram captadas por equipamentos de vídeo instalados em casas de comércio na esquina do local do acidente.
Pelo apurado até agora, o colombiano, que seguia pela Rua Guia Lopes, teria avançado o sinal vermelho e batido na motocicleta, que transitava pela Salgado Filho. Pelas imagens, é possível notar que a sinalização – semáforos e faixas no chão – estava adequada.
Com o choque, o rapaz e a moça foram arremessados a pelo menos 15 metros do acidente. A perna do motociclista foi parar em um lado da pista e o corpo, em outro.
Matheus Rocha morreu antes da vinda dos socorristas. Samira foi levada para o hospital e, à tarde, estava consciente, porém, em observação, segundo o hospital.
O motorista do Mercedes nem sequer parou o carro e seguiu em alta velocidade. Por volta de meia hora depois, o carro dele foi visto parado próximo ao meio-fio da BR-080, em um matagal.
Os policiais que cuidaram da ocorrência afirmaram que o veículo, amassado do lado da batida, apagou o motor por falta de combustível.
O condutor estaria desorientado e com um dos ombros machucado. Contudo, teria inventado um histórico suspeito, o de que havia sido sequestrado e estaria sob a mira de arma, versão contada como maneira de justificar a velocidade que imprimia no acidente com a motocicleta.
Do trecho da BR, foi levado a uma unidade de saúde de Rochedo, cidade de 5,2 mil habitantes, 83 quilômetros distante do acidente. Saiu de lá detido.
Sob escolta, Hugo Álvarez, que disse morar a uns cinco anos na cidade e trabalhar no comércio, segundo informação da polícia, foi levado à Santa Casa e, depois, retornaria para Rochedo, onde ficaria sob custódia da polícia local.
Até o fechamento desta edição, o colombiano não tinha advogado para defendê-lo. Assim que isso ocorrer, o espaço está reservado para publicar sua versão.
ALCOOLEMIA
Assim que foi detido, o teste do bafômetro advertiu que Hugo tinha bebido. O exame atestou que o condutor dirigia o carro com 0,30 miligramas de álcool por litro de ar lançado dos pulmões.
Há a possibilidade de o colombiano ser incriminado por homicídio doloso, crime praticado com a intenção de matar. Caso isso ocorra, o motorista do Mercedes pode pegar pena que supera seis anos de prisão em regime fechado.
NÚMEROS
De janeiro a fevereiro do ano passado, o trânsito de Campo Grande matou 14 pessoas, segundo autoridades locais. Neste ano, no mesmo período, 18 morreram, uma média de um caso a cada três dias.
Especialistas na questão disseram ao Correio do Estado, na semana passada, que a imprudência justifica o excessivo número de motociclistas implicados em acidentes de trânsito.
De acordo com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), entre as pessoas que morreram vítimas de acidentes nos três últimos anos em Campo Grande, a maioria, 6 a cada 10, pilotava motos.
Em 2020, 77 pessoas morreram em acidentes, entre elas, 53 eram motociclistas, o equivalente a 68,83% das vítimas fatais. Em 2021, dados da Agetran revelam que 75 pessoas perderam suas vidas no trânsito, das quais 49 eram motociclistas, 65,33% do total. Já nos primeiros dois meses deste ano, 18 pessoas morreram, 12 eram motociclistas.
18 vítimas no trânsito
Apenas neste ano, 18 pessoas morreram no trânsito de Campo Grande, uma média de um caso a cada três dias.
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