Até final de abril, quase 300 escolas estaduais serão vigiadas por câmeras em MS

Sistema de segurança já existe, mas será ampliado em resposta ao medo de massacres nas instituições de ensino

| CASSIA MODENA E BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS


Câmeras são instaladas na parte interna das escolas (Foto: Marcos Maluf)

É numa central repleta de telas e com uma equipe atenta à qualquer movimento estranho, que 255 das 348 escolas pertencentes à rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul atualmente são vigiadas em tempo real. Implantando em agosto de 2022, o sistema funciona inclusive fora do horário e dias regulares de aula, ininterruptamente.

Nesta quinta-feira (13), após o anúncio de ampliação do videomonitoramento e instalação de dispositivos de segurança nas escolas da rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul, a SED (Secretaria de Estado de Educação), o núcleo de inteligência nas escolas da PM (Polícia Militar) e a gerência do Centro de Operações de Segurança Integrado (COSI) apresentaram o funcionamento do sistema e falaram sobre o aumento do alcance.

Terão cobertura de segurança com câmeras, alarmes, controle de acesso, até o final de abril 100% das instituições de ensino da rede estadual localizadas na zona urbana dos 79 municípios, garantiu o secretário de Estado de Educação, Hélio Daher. O número de unidades atendidas deverá passar das 255 atuais para 298.

Essa ampliação foi a resposta anunciada ontem (12) pelo governo à onda de medo que se espalhou por todos os estados brasileiros após o caso da creche Cantinho do Bom Pastor, ocorrido em Blumenau (MG), 'Hoje, então, a gente tem o problema do pânico instalado nas famílias. Se chega notícia de que em tal escola aconteceu alguma coisa, o centro de monitoramento oferece resposta rápida a qualquer ocorrência e dá a garantia de que, naquele momento, a escola está tranquila', falou Hélio Daher.

Separar o que é fato do que é falso quanto à violência nas escolas é um benefício do sistema de monitoramento. 'Podemos acalmar a comunidade, que vai ouvir da nossa parte: 'olha, fique tranquilo, que é um boato, uma fake news'. Já o que for ocorrência, terá resposta em tempo rápido', acrescenta o secretário.

Como funciona - O COSI fica em Campo Grande e é formado hoje por uma equipe de 250 pessoas, sendo que entre 80 e 100 delas se revezam entre plantões.

Ele é coordenado por uma empresa especializada em segurança escolar, que acompanha o vídeo enviado em tempo real por 1.293 câmeras instaladas nos ambientes internos. Gerente da central, Vicente Lopes explica que, além desses equipamentos, são supervisionados os alarmes e sistemas de acesso.

Há um link direto com a PM, agentes responsáveis pela ronda escolar, Corpo de Bombeiros e Samu (Serviço Móvel de Urgência e Emergência) para informar qualquer necessidade de atendimento verificada, complementa Vicente.

O 'botão do pânico' é outro sistema auxiliar ligado à COSI. 'Ele não é um dispositivo físico, está nos smartphones de funcionários e agentes de segurança das escolas e pode acionar em tempo real a nossa central', esclarece o gerente.

O número de ocorrências registrado atualmente é considerado baixo. 'É um quantidade reduzida. Temos uma média de 6 a 7 ocorrências reais em todo o estado. Geralmente são casos de prevenção de furto, vandalismo e conflito entre alunos', começa Vicente Lopes. Se uma ocorrência é constatada 'imediatamente enviamos equipe para fazer tratativa. Se tiver necessidade de ação da polícia, bombeiros ou Samu, nós acionamos na hora', complementa.

O núcleo de inteligência da PM que irá integrar a COSI contará com um gabinete especial, segundo o coronel Carlos Hudmax. 'A segurança terá um gabinete exclusivo instalado para prevenir esses eventos. Todos os órgãos públicos de segurança estadual e municipal e até de nível federal poderão compartilhar esses dados, e todos vão agir no que precisar', pontua.

Escolas da zona rural - Quanto às escolas da zona rural, inclusive as localizadas em território indígena, o desafio é a conectividade com rede de internet. 'Quando falta conectividade, impede resposta rápida em tempo real. Estamos estudando uma outra forma de atender as escolas dessas localidades', afirmou o titular da SED.

A estimativa da secretaria é que são 50 as escolas da zona rural que estão de fora do sistema de monitoramento e demandam outra solução para reforço da segurança.

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