De Vicentina para o mundo: faixa-preta Gustavo Oliveira constrói carreira no jiu-jitsu em Dallas

Natural de Fátima do Sul e morador de Vicentina desde a infância, o faixa-preta de jiu-jitsu Gustavo Evangelista de Oliveira encontrou no esporte um caminho de transformação pessoal e profissional. Hoje, ele está em Dallas, nos Estados Unidos, onde se dedica integralmente ao jiu-jitsu

| ESPORTE ÁGIL


Natural de Fátima do Sul e morador de Vicentina desde a infância, o faixa-preta de jiu-jitsu Gustavo Evangelista de Oliveira encontrou no esporte um caminho de transformação pessoal e profissional. Hoje, ele está em Dallas, nos Estados Unidos, onde se dedica integralmente ao jiu-jitsu.

O primeiro contato com a arte suave aconteceu ainda na adolescência. “Tive meu primeiro contato com o jiu-jitsu em 2010 ou 2011, quando um amigo me chamou para visitar uma academia em Fátima do Sul, onde futuramente comecei a treinar. Comecei de verdade em 2013 com o professor Fabrício Porfírio, em Fátima do Sul, com quem treinei até 2017”, recorda. Na época, o esporte era apenas um passatempo. “Durante esse tempo, o jiu-jitsu era apenas um hobby do qual fui me apaixonando cada vez mais. Meu primeiro campeonato foi com uns 15 dias de treino. Foi uma experiência maluca, mas muito legal.”

A dedicação se intensificou a partir da faixa-roxa, quando Gustavo passou a enxergar o jiu-jitsu de forma mais profissional. “Comecei a competir e levar o esporte mais a sério em 2017 ou 2018, quando comecei a viajar mais para lutar. É nessa fase que a maioria enfrenta dificuldades, principalmente financeiras. Quem olha de fora não tem noção de como o jiu-jitsu é um esporte caro”, explica.

O apoio de uma empresa local foi decisivo para que ele continuasse competindo. “Consegui lutar muitos eventos porque, desde que comecei a participar de mais competições, pude contar com o apoio da CEV (Central Energética Vicentina), uma usina de álcool de Vicentina. Eles me ajudaram muito no começo da carreira. Graças a esse apoio, tive a oportunidade de competir em Abu Dhabi, e foi ali que aconteceu a mudança de chave. Pude ver o tamanho do jiu-jitsu fora do Brasil e a possibilidade real de viver do esporte.”

A experiência internacional abriu novos horizontes e acabou influenciando a decisão de sair do país. “Depois da viagem a Abu Dhabi, consegui expandir mais meus conhecimentos e entender como as coisas funcionavam fora. Vi que o principal campeonato do mundo acontecia nos Estados Unidos. Foi quando me mudei para São Paulo para treinar na academia Cícero Costha, e lá foi plantada a semente da vontade de lutar o Mundial da IBJJF, na Califórnia. Ali começava minha relação com os EUA”, conta.

A mudança definitiva aconteceu em 2021, quando recebeu um convite para treinar em Dallas. “Vim para Dallas a convite do professor Alex Martins, para participar de um camping. Na época, ainda representava a equipe Cícero Costha. Quando cheguei aqui, tive acesso a outro mundo. Vi uma real possibilidade de viver do esporte, não só como atleta, mas também como professor, com vários outros caminhos possíveis.”

Para Gustavo, a principal diferença entre o Brasil e os Estados Unidos está na valorização do profissional. “Aqui, o business funciona de verdade. Você é bem valorizado e pago pelo que faz, seja como atleta ou professor. É uma realidade completamente diferente do Brasil, principalmente no interior, onde a maioria das academias apenas sobrevive e muitos professores dão aula apenas por amor ao esporte, precisando se dedicar a outra profissão durante o dia.”

A trajetória de Gustavo inclui diversas conquistas importantes. “Já fui medalhista sul-americano, nacional e American National nas faixas coloridas, e várias vezes campeão dos IBJJF Opens. Minha mais recente conquista foi o terceiro lugar no Campeonato Pan-Americano No-Gi da IBJJF, em Nova York, um dos campeonatos mais importantes do jiu-jitsu”, destaca.

A rotina em Dallas é intensa. “Treino jiu-jitsu sete vezes por semana e faço preparação física de duas a três vezes”, relata. O comprometimento diário reflete o foco em continuar crescendo no cenário internacional.

Mesmo morando fora, Gustavo não esquece as origens. “Sem dúvida, é um plano para o futuro poder retribuir de alguma forma tudo que o esporte me proporcionou”, afirma, sobre o desejo de investir em projetos esportivos no Mato Grosso do Sul.

O jiu-jitsu, segundo ele, foi determinante na formação pessoal. “O jiu-jitsu teve um papel fundamental na minha formação. Me ensinou sobre resiliência e humildade. No tatame, você aprende a lidar com a derrota, a aceitar que sempre há alguém melhor e que a evolução é um processo gradual que exige disciplina e paciência. Isso mudou minha forma de encarar desafios no dia a dia.”

Gustavo também faz questão de deixar uma mensagem aos jovens do interior que sonham em seguir carreira no esporte. “Acreditem no potencial de vocês. Ser do interior não é desvantagem, é oportunidade de construir uma base sólida com foco. Abram a mente para o esporte como um todo. Treinar jiu-jitsu não se resume a ser atleta competidor. Há várias formas de viver do esporte: ser professor, abrir uma academia, criar conteúdo digital, organizar eventos. Pensem além do tatame de competição”, aconselha.

Ele reforça ainda a importância da constância e da paciência. “Participem de campeonatos e criem uma rede de contatos, as oportunidades surgem de onde menos se espera. E o mais importante: sejam consistentes e pacientes. Sucesso no esporte não vem da noite para o dia. Cuidem do corpo, da alimentação, do descanso e respeitem o processo. A origem humilde pode ser justamente o diferencial que fará vocês valorizarem cada conquista e trabalharem mais duro.”

Com os pés firmes no tatame e os olhos voltados para o futuro, Gustavo segue determinado a representar Vicentina no cenário internacional. “Os objetivos continuam os mesmos: treinar e competir o máximo possível. Recentemente fechei um patrocínio com a Hyros, uma empresa especializada em rastreamento de anúncios, que tem me permitido focar mais nas competições. Estou mirando no Campeonato Mundial No-Gi, que acontece em dezembro, em Las Vegas.”

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