Clima seco no sul pressiona soja em fase crítica e eleva risco de perdas
Déficit de chuvas no fim de janeiro atinge lavouras em enchimento de grãos e atrasa colheita
| GUSTAVO BONOTTO / CAMPO GRANDE NEWS
A falta de chuvas e a previsão de precipitações abaixo da média histórica colocaram produtores de soja da região sul de Mato Grosso do Sul em alerta até o fim de janeiro. A situação afeta áreas de Dourados, Caarapó, Itaporã, Ivinhema e Fátima do Sul. O problema ocorre após grande parte das lavouras entrar na fase de enchimento dos grãos, período decisivo para definição de peso e produtividade.
Segundo a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), a irregularidade das chuvas coincide com o momento de maior exigência hídrica da cultura. Na fase de enchimento de grãos, a soja depende de oferta contínua de água para garantir rendimento por hectare. A restrição hídrica nesse estágio tende a reduzir a produtividade, mesmo em lavouras que apresentavam bom desenvolvimento vegetativo.
Levantamento do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) mostra que, entre 1º e 26 de janeiro, vários municípios do sul do Estado registraram volumes de chuva muito abaixo da média histórica. Em Fátima do Sul, o acumulado chegou a 67 milímetros, o que representa déficit de 62% em relação ao volume esperado para o período.
O cenário preocupa porque o déficit se soma à perspectiva de chuvas abaixo do padrão nos próximos meses. A média histórica de precipitação em Mato Grosso do Sul entre fevereiro e abril varia de 300 a 500 milímetros. As projeções climáticas indicam, no entanto, chuvas irregulares e volumes inferiores à média nesse trimestre.
Dados da Aprosoja apontam que a região sul concentra o quadro mais delicado da safra no Estado neste momento. Apenas 51,2% das lavouras estão classificadas em boas condições. Outras 42,9% aparecem como regulares, enquanto 5,9% já apresentam condição considerada ruim.
Técnicos que acompanham a safra associam o desempenho inferior à combinação de fatores climáticos e estruturais. Solos mais arenosos, comuns em parte da região, reduzem a retenção de umidade. As altas temperaturas elevam a evapotranspiração. A baixa população final de plantas em algumas áreas limita o potencial produtivo, mesmo quando há recuperação parcial das chuvas.
O impacto das condições climáticas também aparece no ritmo da colheita. Até 23 de janeiro, apenas 0,7% da área da região sul havia sido colhida. O índice supera o avanço registrado nas regiões centro e norte do Estado, mas fica abaixo do observado no mesmo período da safra passada.
No total, cerca de 23,4 mil hectares tiveram a colheita concluída em Mato Grosso do Sul. O atraso decorre, em parte, do desenvolvimento mais lento das lavouras neste ciclo, que não passaram por estresse severo antecipado, como ocorreu na safra anterior.
Na safra passada, a colheita avançou mais rápido devido à antecipação da maturação provocada por seca e calor excessivo. Neste ciclo, apesar do déficit recente de chuvas, as lavouras mantiveram ciclo mais próximo do padrão, o que empurrou o pico da colheita para fevereiro e março.
A expectativa é que a colheita ganhe ritmo a partir do início de fevereiro, com maior concentração entre fevereiro e a metade de março. O encerramento dos trabalhos está previsto para maio, conforme o cronograma técnico da cultura no Estado.
Mesmo com os problemas regionais, a estimativa estadual aponta produção de 15,1 milhões de toneladas de soja, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare.
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