Renato Vessani- Redação Vicentina Online *
Foi concedida neste domingo (1) a liberdade provisória do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Sun Moon, de 46 anos, e que matou com três tiros o empresário Adriano Correia do Nascimento, de 33 anos, ex-morador em Vicentina, após uma suposta fechada no trânsito, na avenida Ernesto Geisel, em Campo Grande, após Adriano desviar de um buraco.
O crime aconteceu no sábado (31) pela manhã, sendo que Ricardo foi detido em flagrante após se apresentar à Polícia Civil. Porém, foi pedida a conversão da prisão em preventiva à Justiça. Porém, o juiz de plantão, apesar de homologar a prisão em flagrante, não concedeu a preventiva, o que coloca Ricardo em liberdade.
"Apesar de o delito atribuído ao custodiado haver causado certo clamor público, especialmente pelo fato de uma das vítimas ser empresário conhecido nesta Comarca, a jurisprudência pátria, há muito firmou o entendimento no sentido de que o clamor ou a comoção social não constituem, por si só, fundamento idôneos para autorizar a prisão preventiva", explica a decisão.
Além disso, o juiz José de Andrade Neto frisou que Ricardo não tem antecedentes criminais e possui endereço e emprego fixo, não existindo qualquer indício de que, sendo colocado em liberdade, ele poderá vir a colocar em risco a "ondem pública, a instrução criminal ou mesmo a aplicação da lei penal".

Medidas de restritivas - Entretanto, o juiz impôs restrições à Ricardo, como o recolhimento domiciliar no período noturno, devendo permanecer em casa das 22h às 6h do dia seguinte, proibição de sair do Brasil e de portas arma de fogo, além de ser suspenso das atividades como agente da PRF (Polícia Rodoviária Federal).
"Os autos revelam que ele teria abordado o condutor de veículo automotor dentro da cidade, fora de rodovia federal, praticando um ato que estaria absolutamente fora de sua competência funcional", frisa o juiz na decisão.
Ele ainda acrescenta que a dinâmica do crime revela "até mesmo certo despreparo emocional do custodia para o exercício da atividade policial", já que o motivo dos disparos foi uma discussão de trânsito que resultou em sete disparos feitos por Ricardo, o que evidencia "excedo de agir e a falta de habilidade técnica para lidar com a situação".
Passado na polícia - Ricardo, que é da Coreia do Sul e se naturalizou brasileiro em 2010, entrou na PRF em fevereiro de 2016. Segundo colegas, ele demonstrava habilidade no manuseio de armas, já teria tido treinamento no serviço militar obrigatório sul-coreano e também é ex-policial civil do Estado de São Paulo.
Ele iniciou a carreira policial em 2014, quando foi nomeado agente policial. Em Mogi-Guaçu, chegou a receber elogio oficial do Delegado Geral após uma ocorrência que resultou na prisão de traficante e apreensão de carga de drogas na cidade paulista. Ricardo também já participou de competições de tiro defensivo e fuzil esportivo.
Crime - Ricardo conduzia um Mitsubishi Pajero e disparou contra uma Hilux, conduzida pelo empresário Adriano Correia, dono da Sushi Express. A vítima foi atingida no pescoço, perdeu o controle da direção e o veículo derrubou um poste de iluminação pública. Ele morreu no local.
Agnaldo Espinosa da Silva, 48 anos, e o filho de 17 anos, também foram feridos, mas passam bem. As vítimas continuam na Santa Casa, já fora do atendimento emergencial, e também devem ser ouvidas pela polícia.
O policial rodoviário federal ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo detido em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF. O caso ainda está sob investigação.
"Espetacular e generoso", empresário morreu mesmo após pedir desculpas
“Adriano foi uma pessoa espetacular, muito generosa. Pode perguntar por aí, não tinha um que não gostava dele”. É assim que Ronaldo Correia do Nascimento, 36 anos, descreve o irmão, Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, morto com três tiros, dois no peito e um no pescoço, segundo a polícia, após uma discussão de trânsito com o policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 46 anos.
Com lágrimas nos olhos, que refletem também a revolta, familiares e amigos acompanham o velório do jovem empresário, realizada numa capela nas Moreninhas. Entre os presentes, ninguém consegue aceitar o que houve e todos pedem Justiça.
“Conversei com Agnaldo (amigo de Adriano, que também estava no carro no momento da confusão), ele disse que depois de fechar o policial, meu irmão desceu pedindo desculpas. E o cara falou que foi legítima defesa. Isso não existe”, diz Ronaldo, bastante emocionado.
Adriano era dono de dois restaurantes de sushi em Campo Grande. Garoto vindo do interior, morava na Capital com a família há cerca de 15 anos. Construiu a vida por aqui.

“Minha família está desolada. Eu ia pescar com meus irmãos. Poxa, tiraram meu irmão de mim, um a pessoa boa,querida por todo mundo. Quero esse homem preso por pelo menos 20 anos. Vou gastar tudo o que tenho, todo o dinheiro das nossas empresas,mas quero que ele pague pelo que fez”, reforça o irmão, debaixo de muito choro.
A tristeza é tanta, que a mãe de Adriano, de 64 anos, não conseguiu acompanhar o velório do filho. Ficou por cerca de meia hora, até que passou mal e precisou ir embora.
Conhecidos do rapaz também manifestam a revolta da perda pelo Facebook, e a dor de não poder mais contar com um amigo. “Não dá pra acreditar. Cara do bem, trabalhador que conquistou tudo o que tem com muita luta. Justiça seja feita”, comentou um amigo.
O velório de Adriano foi realizado na Rua Ipamerim, bairro Moreninha ll, na Capital. O enterro ocorreu às 15 horas deste domingo (1º), no Cemitério Nacional Parque da Vila Moreninha IV, em Campo Grande.
“Um inspetor da polícia é para ajudar as pessoas, não para matar. Quero que as pessoas entendam que não é vingança, o que queremos é justiça. Nós vamos tirar ele da sociedade, para que não mate outros”, finalizou o irmão de Adriano.
Confusão - Uma mulher, que pediu para não ser identificada, contou à reportagem que participava do velório de um jovem morto pela polícia e ouviu cinco disparos e o barulho da batida. “Ele estava metade fardado e com a arma em punho”.
Segundo o relato, o policial estava nervoso e um rapaz ferido gritava, desesperado, que ele tinha “matado o Adriano”.
O policial conduzia uma Mitsubishi Pajero e efetuou disparos contra uma Hilux. Adriano, que conduzia a camionete, foi atingido, perdeu o controle da direção e o veículo derrubou um poste de iluminação pública.
Em depoimento, Ricardo disse à Polícia Civil que agiu em legítima defesa ao disparar sete vezes contra os ocupantes da Hilux e confirma que uma briga de trânsito provocou a situação.
Depois de prestar depoimento, o policial rodoviário foi levado para o IML (Instituto de Medicina Legal) e posteriormente será levado para o Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos).


* Com informações do Campo Grande News
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