Ciclo pecuário influencia decisões de produtores e preços da arroba em MS

Entender as fases do ciclo pecuário é essencial para planejar produção, investimentos e oferta de carne no estado.

| RCN67/GABRIELA PORTO


Rebanhos em Mato Grosso do Sul refletem os efeitos do ciclo pecuário sobre produção e preço da arroba do boi. - Foto: Divulgação.

Oscilações no preço da arroba do boi fazem parte da rotina da pecuária brasileira e se refletem diretamente em Mato Grosso do Sul, estado que responde por uma parcela significativa da produção nacional. A explicação para esses movimentos está no ciclo pecuário, fenômeno que combina fatores biológicos, econômicos e estratégicos, alternando fases de valorização e de queda.

Enquanto a demanda por carne se mantém relativamente constante, a oferta de bovinos para abate varia conforme decisões dos pecuaristas, condições de pastagem, custos de produção e estímulos econômicos. Compreender o ciclo pecuário é fundamental não apenas para produtores, mas para frigoríficos, distribuidores e até para quem acompanha o mercado de carne de fora do setor.

Segundo Diego Guidolin, consultor em pecuária da Famasul,

“o ciclo pecuário existe porque a produção não responde de forma imediata às variações de mercado. Diferentemente de outros setores, as decisões tomadas hoje só refletem no preço da arroba anos depois.”

Fases do ciclo pecuário e impacto nas decisões de campo

O ciclo pecuário pode ser dividido em fase de baixa e fase de alta, cada uma com impactos distintos sobre oferta, preço e planejamento produtivo.

  • Fase de baixa: Quando a arroba se desvaloriza, aumenta o abate de fêmeas, elevando a oferta de carne no curto prazo, mas diminuindo a produção futura de bezerros. Este efeito só se torna visível no mercado cerca de 18 a 20 meses depois, considerando gestação e desmame.
  • Fase de alta: A escassez de bezerros eleva o preço dos animais de reposição, pressionando custos de recriadores e terminadores. Quando esses animais chegam à idade de abate, o mercado percebe a menor disponibilidade, impulsionando a valorização da arroba.

“A decisão de abater ou reter fêmeas é o principal motor do ciclo pecuário. Diferentemente do abate de machos, que afeta apenas a oferta imediata de carne, o descarte ou retenção de matrizes determina a capacidade futura de produção do sistema”, explica Guidolin.

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